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Rachel Sheherazade concede entrevista ao radialista Ikeda e diz que defende valores da sociedade brasileira

        2Após causar polêmica ao comentar em rede nacional o caso do bandido que foi espancado e preso a um poste no Rio de Janeiro, a jornalista Rachel Sheherazade, âncora do SBT Brasil, foi mal interpretada intencionalmente. Apesar das opiniões divididas, a apresentadora foi duramente criticada, sobretudo, nas redes sociais. O assunto ganhou uma repercussão tão grande no país, que mexeu com vários segmentos da sociedade, de partidos políticos a setores da imprensa, por exemplo, promovendo, assim, uma grande discussão nacional.

Em virtude dessa repercussão, Rachel passou a semana toda respondendo entrevistas para vários veículos de comunicação do país e, gentilmente, após ser contactada pelo editor deste blog, também aceitou conceder uma exclusiva para o Blog do Ikeda, na qual ela comenta sobre a polêmica e outros assuntos.

Confira, então, a entrevista feita via e-mail, pois, conforme post de Veja SP, Rachel Sheherezade não dá mais entrevistas por telefone ou pessoalmente porque deturpam o que ela diz.

 

Blog do Ikeda – O que mudou em sua vida após ser contratada pelo SBT e como foi deixar uma emissora regional para estar em rede nacional, reportando e com a devida abertura para emitir opinião?

Rachel Sheherazade – Na minha vida pessoal, pouca coisa mudou, fora o fato de estar longe da minha família e amigos. Minha rotina continua praticamente a mesma. Profissionalmente, a mudança é radical. A repercussão do meu trabalho é infinitamente maior do que era. E as opiniões são muito mais comentadas e replicadas.

2 – Você já sentiu alguma resistência por parte da direção de jornalismo da tevê ou sente indiferença por parte de seus colegas em virtude de suas opiniões?

– Eu tenho essa janela de opinião livre, assegurada pela direção do SBT, e meus colegas não questionam esse espaço. É claro que minhas opiniões não são unânimes: nem entre os jornalistas nem entre os telespectadores.

3 – Você se considera uma jornalista polêmica?

– Não. Não há nada de polêmico no que defendo. Defendo os valores da sociedade brasileira: a democracia, a Justiça, a paz social, a ordem, as liberdades individuais, a imprensa livre, e reprovo o que a maioria dos brasileiros condena: a corrupção, a violência, a impunidade. O que há de polêmico nisso?

4 – Já sentiu algum tipo de preconceito por ser uma nordestina em evidência nacional, por exemplo?

– O preconceito existe, mas é velado. E já senti, sim, o preconceito por eu ser mulher, por ser nordestina, por ser cristã… Nas redes sociais, onde os covardes se escondem atrás de falsos perfis e codinomes, esse ódio injustificado fica mais explícito: já recebi até ameaças de morte por causa das minhas convicções políticas e religiosas.

5 – Você não teme a ingerência do Poder político sobre o seu trabalho, sobretudo, quando faz menção a temas políticos?

– Não temo a ingerência deles. Sei que os partidos e políticos que denuncio não estão nada satisfeitos com as verdades que eu revelo no programa. Já tentaram me intimidar de todas as formas: a principal é mobilizando seus militantes nas redes sociais e em blogs e veículos de comunicação financiados maciçamente com verba pública. São como marionetes do poder. Acabei de descobrir que um blogueiro a serviço de partidos políticos está revirando meu passado profissional junto ao Tribunal de Justiça em busca de uma irregularidade ou ilegalidade para tentar abalar ou destruir minha reputação, nos moldes das práticas descritas pelo ex-secretário de Justiça do governo Lula, Romeu Tuma Junior, em seu livro ASSASSINATO DE REPUTAÇÕES. Mas, enquanto tiver o respaldo da minha emissora, continuarei falando. Se um dia, não puder mais opinar livremente é porque a lei da mordaça venceu o direito à liberdade de opinião.

6 – O Psol informou que entraria com representação no MP contra o SBT pelas recentes declarações que você deu em defesa dos “justiceiros”. A emissora, no entanto, respondeu que as opiniões são de responsabilidade de seus comentaristas. Em Nota, o Sindicato dos Jornalistas do Rio de Janeiro diz que “o desrespeito aos direitos humanos tem sido prática recorrente” em seu trabalho como jornalista e lembra que “os canais de rádio e TV não são propriedade privada, mas concessões públicas que não podem funcionar à revelia das leis e da Declaração Universal dos Direitos Humanos”. Nas redes sociais, apesar das opiniões dividas, há quem esteja ao seu lado, afirmando que você fala o que a maioria do povo quer dizer, mas não tem coragem de falar.

Você já se arrependeu de algum comentário feito em virtude da repercussão, se sente à vontade para lidar com esse tipo de situação?

– Nunca me arrependi de qualquer comentário, embora já tenha mudado de opinião em relação a posicionamentos antigos, como por exemplo, o financiamento público de campanha (hoje sou totalmente contra). Apesar de serem concessões estatais, os veículos de comunicação não estão sujeitos à qualquer tipo de censura ou regulação do Estado nem dos partidos políticos nem de quaisquer entidades. Não há uma obrigação de beija-mão, de eterna fidelidade aos interesses do governo. Ademais, há uma garantia constitucional que protege o direito à opinião. Acontece que a preocupação desses grupos não é com os Direitos Humanos, mas sim com seus próprios interesses políticos. O PSOL, por exemplo, está metido em escândalos de fraudes e desvio de dinheiro. Precisa de uma cortina de fumaça para distrair o eleitor nas vésperas de mais um pleito. Mas, até a presente data, não prestou qualquer solidariedade com o bandido preso no poste, e muito menos com as vítimas desse sujeito. Eu, ao contrário do que me acusam, estou sempre defendendo os direitos dos humanos esquecidos pelo Estado, pelos partidos e pelas ONGs de DH, as vítimas dos bandidos, as viúvas e filhos dos policiais mortos em combate com marginais, as crianças abusadas, abandonadas, as mulheres exploradas, os nordestinos vítimas de preconceito, as crianças no ventre de suas mães que têm o direito de nascer… Acaso não teriam eles, também, os mesmos direitos humanos?

8 – Você acha que há um monopólio político na mídia brasileira, considerando, inclusive, que grande parte das concessões está “nas mãos de políticos”?

– Claro que sim. Todo mundo está cansado de saber que há um grande interesse do governo de cassar concessões públicas de empresários para repassá-las a políticos aliados, como fez a presidente Kirchner na Argentina. O governo quer o monopolizar e manipular os meios de comunicação, numa espécie de escambo. Eu te patrocino, você fala bem do meu governo. Aí é que se cria a mídia “chapa-branca”. Basta ver a forma explicitamente desigual como o governo distribui verbas publicitárias da propaganda institucional entre emissoras de tv, rádio e blogs. Quem reza a cartilha do politicamente aceito é claramente beneficiado com mais publicidade estatal.

9 – Na edição desta quinta-feira (06) você foi questionada, ao vivo, pelo seu colega Joseval. Você se sentiu forçada a voltar a comentar sobre o assunto?

– Não fui forçada. A idéia de voltarmos ao assunto foi do nosso diretor, Marcelo Parada, e eu aceitei na hora. O tema estava sendo discutido em toda imprensa, em todas as redes sociais. Não poderíamos deixar de voltar ao assunto que nós mesmos ajudamos a propagar.

10 – Em 1988, Silvio Santos disse que, em sua televisão, enquanto ele viver, jornalista vai dar apenas notícia. Qual foi a proposta dele para você e como você pretende seguir daqui para frente?

– Na proposta que me fizeram em 2011, a empresa pediu que além de apresentar e ancorar o jornal, eu opinasse sobre o que quisesse. Na ocasião, cheguei a perguntar: “Há algum assunto que não possa falar? A empresa tem alguma ligação política com algum partido ou grupo de partidos?” A resposta que me deram foi “NÃO”. Então, assinei o contrato com a garantia de poder emitir minhas opiniões sem censura.

11 – Quem é Rachel Sheherazade?

– Uma mãezona, esposa dedicada, cidadã de bem, temente a Deus, uma profissional digna e independente. Sou transparente e corajosa porque falo o que eu penso sem pedir licença a governos ou partidos e sem temer suas represálias.

por Michele Marques

Portal Mídia

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