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Mulheres juristas da PB divulgam nota de repúdio e condenam cultura do estupro

abusoAs mulheres que integram o grupo de Juristas pela Democracia na Paraíba divulgaram neste final de semana uma nota de repúdio por conta do estupro coletivo da garota de 16 anos ocorrido no Rio de Janeiro. Na nota, o grupo de mulheres juristas afirma que é “excruciante saber que tamanha bestialidade só foi e é possível pela absoluta inserção de nossa sociedade em uma cultura do estupro”.
Ainda na nota, as mulheres juristas da Paraíba afirmam que “Já não é mais possível admitir essa realidade. Não é cabível aceitar que nós mulheres tenhamos nossas liberdades cerceadas e nossos corpos invadidos com a leniência de uma sociedade imersa em uma misoginia incrustante”.
Segundo elas, é “urgente que todos os setores da sociedade mantenham-se em um vigilante e constante debate acerca do preconceito de gênero”.
Confira a nota na íntegra:
NOTA DE REPÚDIO
É com profundo pesar e angústia lacerante que recebemos a notícia de que uma jovem mulher foi violentamente estuprada por mais de trinta homens, no estado do Rio de Janeiro, tendo ainda fotos e vídeos sido perversamente divulgados por seus agressores em diversas redes sociais.
Uma mulher. Trinta homens.
Nossos corações estão dilacerados.
Dilacerados como o corpo e a alma dessa mulher.
É excruciante saber que tamanha bestialidade só foi e é possível pela absoluta inserção de nossa sociedade em uma cultura do estupro.
Sim, cultura do estupro. Um conjunto de concepções e práticas que subjugam, inferiorizam, coisificam, que pautam as relações entre homens e mulheres em vieses de poder e submissão. Uma cultura que humilha, que tortura, que escraviza, que destrói, que sangra, que estupra, que mata.
O patriarcado ainda existe e é algo tortuoso de se constatar. Existe cada vez que a sociedade permite ao pai dizer ao filho como ele deve “tirar a virgindade” de uma mulher. Existe quando a mulher cede à submissão e abre mão dos seus direitos para “permanecer em paz com o marido”. Existe igualmente nas piadas machistas do dia a dia e que devem ser “toleradas” em nome da “urbanidade”. Ele, o patriarcado, não está apenas presente na esfera familiar, tampouco apenas no âmbito trabalhista, ou na mídia ou na política. O patriarcalismo compõe a dinâmica social como um todo, estando, inclusive, inculcado no inconsciente de homens e mulheres individualmente e no coletivo, enquanto categorias sociais. O patriarcado contemporâneo é um nó na nossa garganta.
Já não é mais possível admitir essa realidade. Não é cabível aceitar que nós mulheres tenhamos nossas liberdades cerceadas e nossos corpos invadidos com a leniência de uma sociedade imersa em uma misoginia incrustante.
É urgente que todos os setores da sociedade mantenham-se em um vigilante e constante debate acerca do preconceito de gênero. Não existe qualquer esperança de reversão dessa realidade que não pela via do combate sistemático a todas as formas de machismo e misoginia e do incessante desenvolvimento do feminismo em todas as áreas da sociedade.
É imperioso às mulheres empoderarem-se, tomando como seus os espaços conquistados, com plena consciência e posse de seus direitos, emancipando-se de dependências construídas por preceitos arcaicos.
O empoderamento feminino tem que ser vivido em sua plenitude. Empoderar é dar poder, revestir-se, capacitar-se. É não aceitar termos nossas demandas reduzidas e nossas vozes silenciadas, sob pena de prosseguirmos em um ciclo interminável de barbáries, que continuarão a ser eternamente inseridas em abismos de naturalização, gerando cada vez mais dor e morte.
Nossa integral solidariedade à jovem mulher e sua família.
Que do seu pranto emane vozes de clamor e justiça.
Das suas lágrimas criaremos força de luta.
Não estás sozinha. Somos mais que trinta. Somos quarenta, somos cem, somos mil, somos milhares e milhares. Resistiremos com você e por você.
Mulheres Juristas da Paraíba.

 

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