Paraíba

Jornalista qualifica Distrito do Cajá, em Caldas Brandão/PB, como o paraíso das parabólicas na PB

O jornalista Severino Lopes publicou na manhã deste sábado (16) no portal Pbagora uma matéria na qual o mesmo qualifica o distrito do Cajá, na BR 230, pertencente a cidade de Caldas Brandão, no agreste da PB, como o paraíso das parabólicas.

Na matéria Lopes destaca o fato de que o vilarejo chama a atenção de quem passa pela estrada federal por um fenômeno não condizente com a realidade econômica da localidade. As antenas parabólicas estão em toda a parte.

Veja a seguir na íntegra a reportagem do Pbagora:

SINAIS DOS NOVOS TEMPOS: comunidade do Cajá se torna paraíso das parabólicas na Paraíba

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As casas são simples, a maioria de barro, sem luxo nem conforto. Os móveis antigos, alguns desgastados em decorrência do uso e do passar do tempo, retratam aspectos que estão nas entranhas dos seus moradores. As cadeiras rústicas, os tamboretes adquiridos há anos, mas que ainda tem serventia, se contrastam com as antenas parabólicas erguidas na frente das casas. Os telhados dos casebres, com madeiras e telhas velhas, e onde as antenas ficam instaladas; bem como, as portas antigas retratam a simplicidade do vilarejo. O quintal cercado por varas com bichos correndo de um lado para o outro, revelam o ambiente rural.

Erguido nas margens da BR 230,a comunidade de Nova Cuba, pertencente a cidade de Caldas Brandão, na Paraíba, mais conhecida como o Cajá, chama a atenção de quem passa pela estrada federal por um fenômeno não condizente com a realidade econômica da localidade. São sinais dos tempos modernos que ligam um passado ao futuro. As antenas parabólicas estão em toda a parte.

O PBAgora esteve em Nova Cuba na última sexta-feira (15) para entender porque quase todos moradores desse pequeno recanto da Paraíba fazem questão de ter a sua parabólica. Muitos não tem sequer telefone celular, mas nem por isso, estão “isolados” do restante do mundo. O fenômeno é recente. Há pouco mais de 10 anos atrás os moradores da comunidade de Nova Cuba, não tinham sequer energia elétrica. O candeeiro de gasolina iluminava as casas. A luz só chegou no começo do ano 2000. Quebrando paradigmas, a chegada da energia elétrica impulsionou um dos fenômenos culturais do pequeno vilarejo. Na era digital, da tecnologia e do celular, as pessoas simples, que vivem do campo, passaram a investir na compra de antenas parabólicas erguida em suas casas.

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Paraíba hoje já é um dos estados que se destaca com o maior número de antenas parabólicas instaladas no Nordeste. Caldas Brandão, importante cidade paraibana, erguida nas margens da BR 230, entre João Pessoa e Campina Grande, é um exemplo desse novo momento. Nova Cuba, já ganhou o título de “recanto das parabólicas”.

Nas casas simples, os moradores que antes só recebiam em canal aberto um ou dois sinais de TV e com qualidade razoável, agora tem o mundo ao alcance dos olhos.  As antenas fazem parte do cenário da comunidade. Nas casas simples, construídas de taipa, os moradores não abrem mão de ter acesso a imagem de qualidade.

Sentada no alpendre sustentado por duas linhas de madeira, a agricultora Maria José de 62 anos, revelou que comprou a antena para ter uma boa imagem em casa. Isso porque, antes, os canais não pegavam em sua casa. “Comprei botei na casa da vizinha e depois coloquei na minha casa”, diz.

Com seu Antônio Damião (foto) de 62 anos não foi diferente. Homem de costumes antigos que antes não trocava a enxada por nada, ele se rendeu a modernidade e garante que a boa imagem lhe motivou a fazer o investimento. Aposentado, e morando sozinho, a TV é uma companheira, e mesmo na casa de taipa, a antena tem seu lugar reservado. “É uma antena melhor que pega mais canais”, disse. Apontando para a antena, ele revelou ao PBAgora que não se arrepende da compra que fez. Flamenguista, conta que seu passa tempo preferido é assistir os jogos do time do coração. E com imagem nítida como se estivesse no estádio.

A comunidade Nova Cuba surgiu há mais de 50 anos conforme revelou seu José da Silva, 78 anos, um dos mais antigos moradores da localidade. Morando numa casinha muito simples, Antônia de Oliveira 73, improvisou a instalação da antena parabólica numa estaca em frente de sua casa e disse que foi a melhor coisa que comprou até hoje. “Aqui nós temos reza, filmes, novelas e muita coisa bonita o dia todo”, afirmou que mesmo morando em um local distante da capital, fica sabendo de tudo que se passa por todo canto do mundo”.

Atualmente existem 31 canais disponíveis na parabólica, com uma grande variedade que vai, desde educativos a populares, uma opção econômica para quem não tem condições de pagar altas mensalidades de TV por assinatura. Hoje, o preço de uma antena parabólica varia entre R$ 199,00 e R$ 350,00 e pode ser financiada em dez vezes.

A inclusão digital não chegou no vilarejo das “parabólicas”

A “febre” da parabólica é tão forte em Nova Cuba que a agricultora Josefa de Lima de 32 anos, não se conteve apenas em adquirir uma antena. Sobre o telhado da casa de taipa da agricultora localizada a menos de 10 metros da BR 230, ela instalou duas antenas.

Josefa garante que não fez o investimento por ostentação, exibicionismo ou luxo. Quase todas as famílias de Nova Cuba não conseguem acompanhar a programação das emissoras local. O sinal da parabólica só pega os canais de São Paulo e Rio de Janeiro. Com isso, a população do vilarejo fica impedida de assistir os jornais da Paraíba e se informar do que acontece no Estado. Para não ficar “ilhada” sem saber o que está acontecendo no Estado, Josefa comprou duas antenas, sendo que uma, para captar os programas da Paraíba e outra para pegar a programação nacional.

Por conta disso, a TV digital que já se espalha na Paraíba, não faz efeito em Nova Cuba. Na da modernidade e da tecnologia, a inclusão digital também não chegou em Nova Cuba, mesmo o vilarejo estando localizado a pouco mais de 60km da capital João Pessoa. Internet no lugarejo é raridade e só pode ser encontrada na Lan house de José Luciano que dispõe de apenas 4 computadores.

Até mesmo o celular não faz sucesso na localidade. A dona de casa Isabel de casa Isabel de Augusto da Silva, 37 (foto), revelou que nunca comprou um telefone móvel. No entanto, há 10 meses resolveu aderir a onda das parabólicas e “fincou” uma antena no telhado de sua casa. “Eu não me arrependo. A única desvantagem é que não pega a programação local” conta.

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Família reunida em torno da TV

A programação preferida da família de Maria de Lourdes da Conceição de 36 anos, é se reunir em torno do aparelho de TV. A casa, construída nas margens da BR 230, é apertada. São apenas três cômodos. Na sala, os cinco filhos da agricultora disputam espaços no sofá laranja.

A casa de alvenaria com paredes desgastadas,é baixa. Quando o esposo de Maria de Lourdes, o agricultor José da Silva fica em pé, quase a sua cabeça toca no telhado. A simplicidade marca o ambiente bem típico do interior nordestino. Desde que a parabólica foi instalada que mudou a rotina da família.

De frente da TV, a família viaja longe, e acompanha o que acontece no mundo. Até mesmo o aposentado José Augusto da Silva de 72 anos, pai de Maria de Lourdes, aderiu a modernidade, e sempre reserva parte do tempo para ficar de frente com a TV. ‘Isso é uma maravilha” brinca. Na casa, ninguém tem celular mas estão sintonizados com o mundo através de uma imagem de qualidade.

No Brasil existem mais de 30 milhões de antenas parabólicas instaladas. Em muitas localidades, principalmente na zona rural ou em pequenos municípios do interior é difícil encontrar uma casa sem parabólica. Em muitas casas o rádio deu lugar a TV, que recebe os sinais da parabólica sem chuvisco e a variedade de canais fascina quem mora na zona rural.

As informações que antes eram raras a eles, hoje chegam diariamente em milhões de lares em tempo real. Mesmo nas cidades, o número de parabólicas lidera em comparações com as antenas comuns. Tudo isso se deve ao marasmo das emissoras afiliadas das grandes redes que, ao longo de décadas, desprezaram o interior, dando preferência as capitais e as regiões metropolitanas.

Da Redação 
Do Expresso PB

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