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Falta vacina pentavalente desde outubro na PB; veja o que fazer

Pentavalente está sendo substituída pela DTP, que cobre quatro doses, e a quinta imunização será obtida fora do esquema normal, aos 15 meses

Governador Jaques Wagner, ministro da Saúde Alexandre Padilha, secretário da Saúde Jorge Solla lançam a campanha de Vacinação infantil na comunidade do Nordeste de Amaralina.
Foto Manu Dias/Secom

Crianças entre 2 meses e 1 ano e 4 meses estão à espera da vacina pentavalente desde outubro de 2019 em todo o estado. Segundo a Secretaria de Saúde da Paraíba, o repasse, que é realizado periodicamente pelo Ministério da Saúde (MS), sofreu uma interrupção e, na última remessa, o estado recebeu uma demanda de 14 mil doses, sendo que a demanda mensal era de 19 mil doses.

A vacina pentavalente está em falta em postos de saúde de todo o Brasil. Ela é a combinação de cinco vacinas individuais e protege crianças de cinco doenças bacterianas: meningite, tétano, difteria, coqueluche e hepatite B. Deve ser aplicada em três doses, com intervalo de 60 dias, em crianças a partir de dois meses de idade, aos quatro e aos seis meses de vida.

O motivo, segundo o Ministério da Saúde, seria a reprovação da vacina em testes. “A remessa de vacina pentavalente, adquirida por intermédio da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), foi reprovada em teste de qualidade feitos pelo Instituto Nacional de Controle de Qualidade em Saúde (INCQS) e análise do Ministério da Saúde. Por este motivo, as compras com o antigo fornecedor, a indiana Biologicals E. Limited, foram interrompidas pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que pré-qualifica os laboratórios”, disse a assessoria do MS.

Uma nova remessa aguarda parecer da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) para posterior liberação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Tão logo essas doses sejam liberadas para uso, serão distribuídas aos Estados. A previsão é iniciar o processo de regularização da distribuição ainda neste mês de janeiro.

Vacina pentavalente em Campina Grande

O secretário de saúde de Campina Grande, Miguel Dantas, diz que a Secretaria insiste para que a população busque os postos de saúde quando as remessas chegarem, pois alguns responsáveis pelas crianças só procuram em última hora ou em casos de emergência. “O cidadão não tem motivos para deixar de ir aos postos e procurar a vacina. É gratuita e de extrema importância para nossas crianças”, explica.

Daniela Simplício, reside em Campina Grande e reclama da demora para chegar a nova demanda. Seu filho, de 9 meses, tomou duas doses e está esperando a terceira desde os 7 meses. “Fui em vários postos de saúde e não achava em nenhum. Eu como mãe temo que meu filho não esteja 100% imunizado e possa estar vulnerável a doenças”, disse Daniela; que chegou a complementar que só soube que a vacina estava em falta em todo o país quando a agente de saúde lhe informou.

João Pessoa

Ano passado, a Prefeitura Municipal de João Pessoa redefiniu o esquema de distribuição nos postos e 15 serviços da rede municipal de saúde da Capital serviram de referência para administração das doses da vacina. Ainda não se tem informações se o esquema irá continuar o mesmo em 2020.

O secretário de Vigilância em Saúde, Wanderson Kleber de Oliveira, disse que em 2020, o Ministério da Saúde fará ações para recuperação dos não vacinados nos últimos 7 anos, cujas estimativas são de 20 milhões de crianças.

O que fazer

O MS orienta. “Os pais que porventura não conseguiram vacinar seus filhos devem procurar as salas de vacinação nos municípios e programarem a vacinação das crianças, conforme o cronograma de imunização. O funcionamento das salas de vacinação é responsabilidade dos Municípios”.

A Secretaria de Estado da Saúde (SES) iniciou um ajuste no esquema de vacinação em virtude da falta de distribuição nacional da vacina pentavalente que protege a criança contra difteria, tétano, coqueluche, hepatite B e meningite por Haemophilus Influenzae B. A recomendação do Ministério da Saúde, divulgada nesta quarta-feira (8), é que as dosagens sejam substituídas pelas vacinas DTP e Hepatite B, enquanto não é normalizado o estoque no país.

O Ministério optou pelo esquema alternativo com uma dose de DTP acrescida de Hepatite B (HB) a fim de proteger as crianças menores de um ano contra difteria, tétano, coqueluche e Hepatite B. Ainda de acordo com o Ministério da Saúde, após a regularização dos estoques com a vacina pentavalente, será suspenso o novo cronograma e os estados retomam o Calendário Nacional de Vacinação definido pelo Programa Nacional de Imunizações.

As vacinas indicadas para substituição temporária da pentavalente já estão disponíveis nas Unidades Básicas de Saúde da Paraíba. De acordo com o a chefe do Núcleo de Imunização da SES, Isiane Queiroga, as gerências de saúde estão recebendo orientações específicas para o preenchimento adequado dos cartões de vacina. “As crianças que forem vacinadas neste esquema especial terão a caderneta de vacinação devidamente documentada especificando as doses e o tipo de vacina utilizada, para que posteriormente seja feito o reforço na data prevista com a pentavalente”, explica Isiane.

Entenda o cronograma:

a) Crianças menores de um ano de idade com início de esquema (aos 2 meses), aplicar DTP + Hepatite B e complementar esquema (segunda e terceira doses) com penta;
b) Crianças que iniciaram o esquema com penta, fazer segunda dose com DTP + Hepatite B e complementar esquema (terceira dose) com penta;
c) Crianças com duas doses de penta, complementar esquema (terceira dose) com uma dose de DTP + Hepatite B;
d) Para todas as situações acima, o reforço com penta aos 15 meses é recomendado.

Doenças

Meningite: A meningite é uma inflamação das meninges, membrandas que envolvem o cérebro e a medula espinhal. A meningite pode ser causada por vírus ou por bactéria, que é mais grave. O risco de contrair meningite é maior entre crianças menores de cinco anos, principalmente até um ano, no entanto pode acontecer em qualquer idade. A principal forma de prevenir a meningite é por meio da vacinação.

Tétano: O Tétano acidental é uma infecção causada por bactéria encontrada na natureza e não é contagiosa. A bactéria causadora do tétano acidental pode ser encontrada na pele, fezes, terra, galhos, plantas baixas, água suja, poeira. Se o tétano acidental infeccionar e não for tratado corretamente, pode matar. As chances de morrer dependem da idade, tipo de ferimento, além da presença de outros problemas de saúde, como complicações respiratórias, renais e infecciosas.

Difteria: A difteria é uma doença transmissível e causada por bactéria que atinge as amígdalas, faringe, laringe, nariz e, ocasionalmente, outras partes do corpo, como pele e mucosas. Dependendo do tamanho e de onde as placas aparecerem, a pessoa pode sentir dificuldade de respirar. A presença de placas na cor branco-acinzentada nas amígdalas e partes próximas é o principal sintoma da difteria. Em casos mais graves, porém raros, podem aparecer inchaços no pescoço e gânglios linfáticos.

Coqueluche: A coqueluche é uma infecção respiratória, transmissível e causada por bactéria. Está presente em todo o mundo. Sua principal característica são crises de tosse seca. Pode atingir, também, tranqueia e brônquios. Crianças menores de seis meses podem apresentar complicações da coqueluche que, se não tratada corretamente, pode levar à morte. Nas crianças a imunidade à doença é adquirida quando elas tomam as três doses da vacina, sendo necessária a realização dos reforços aos 15 meses e aos 4 anos de idade.

Hepatite B: A hepatite é a inflamação do fígado. Pode ser causada por vírus ou pelo uso de alguns remédios, álcool e outras drogas, assim como por doenças autoimunes, metabólicas e genéticas. Em alguns casos, são doenças silenciosas que nem sempre apresentam sintomas.

No caso da Hepatite B, em crianças, são dadas quatro doses: ao nascer, 2, 4 e 6 meses. Para os adultos que não se vacinaram na infância, são três doses a depender da situação vacina. É importante que todos que ainda não se vacinaram tomem as três doses da vacina.

 

Portal Correio

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