Educação

‘Erro de investigação’, diz médica indiciada por mortes em UTI

A médica Virgínia Soares Souza, indiciada por mortes ocorridas na UTI do Hospital Evangélico de Curitiba, apresentou uma carta em própria defesa, na tarde desta sexta-feira (22). O documento foi entregue à imprensa pelo advogado dela, Elias Mattar Assad, que concedeu uma entrevista coletiva sobre o caso.

Virgínia, que era chefe da UTI do hospital, está presa desde terça-feira (19), após uma operação policial que também recolheu prontuários médicos. Ela foi indiciada por homicídio qualificado, ou seja, por acelerar a morte de pacientes sem chances de defesa para liberar leitos na UTI do Evangélico. Após a prisão, o hospital divulgou nota afirmando que o caso é pontual e aconteceu em uma das quatro UTIs do hospital, na qual toda a equipe foi substituída. No total, 47 pessoas, entre 13 médicos e 34 enfermeiros.

A carta coloca em xeque a investigação, questionando a inexistência de provas válidas. “O livre exercício da medicina está em risco no Brasil”, diz trecho do documento. Ela diz que se o modelo de investigação da polícia paranaense obtiver êxito, qualquer morte em UTI poderá ser considerada imperícia ou mesmo homicídio qualificado. “A ciência médica não pode ser relativizada ou mesmo inviabilizada no seu livre e ético exercício, pelos altos riscos a que doravante estarão expostos os seus profissionais”, diz outra parte da carta. O texto ainda classifica a investigação como “o maior erro investigativo e midiático da nossa história”.

A carta segue a linha de raciocínio que será empreendida pelo advogado de defesa. Assad afirmou que, em vez de alegar inocência da médica, irá questionar a inexistência do fato – ou seja, que não há provas que confirmem assassinatos na UTI do Evangélico. “A polícia não está conseguindo comprovar a existência de fato criminoso. Exibiram algum cadáver dizendo que a morte dele se deu por causa que não aquela declarada no atestado de óbito? Eu desafio a polícia”, afirmou Assad.

Segundo Assad, o fato de a polícia manter o caso sob sigilo é reflexo desta falta de provas alegada, razão pela qual ele irá pedir a abertura do processo para a população. “Esse sigilo está se dando não no interesse a minha cliente, está se dando no interesse de quem não conseguiu provar a materialidade de algum crime. Para ter homicídio qualificado, tem que ter um morto, tem que ter um laudo do IML dizendo que aquela morte foi causada por alguém e isso não existe”, disse o advogado. De acordo com ele, que teve acesso ao inquérito, as investigações da polícia não são baseadas em provas, já que os laudos do Instituto Médico-Legal batem com os laudos feitos no Hospital Evangélico – com assinatura de outros médicos que não Virgínia. “Ela era intensivista,  quem assinava a causa de morte eram os médicos de cada paciente”, sustenta o jurista.

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“Esse caso vai terminar sem ação penal. O Ministério Público não vai ter elementos para fazer uma ação penal. A ciência do direito não pode se satisfazer de boatos, nós partimos do fato”, afirmou. De acordo com Assad, este processo começa em “2 a 0” para a defesa, já que todos são inocentes até que se prove o contrário, além de o ônus da prova caber ao acusador.

O advogado de Virgínia ainda desqualificou as denúncias de que ela dava preferência a pacientes de convênio em desfavor de pacientes do SUS. “90% dos pacientes dela eram do SUS, enquanto 10% eram de convênio. A maioria absoluta era SUS e nunca ela tratou alguém de maneira disforme. Nunca se verificou disparidade”, justificou Assad.

G1

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