Paraíba

Doenças Sexualmente Transmissíveis atingem 204 mil na Paraíba

Camisinha ainda é a melhor forma de prevenção
Camisinha ainda é a melhor forma de prevenção

Um estudo do Ministério da Saúde (MS) mostrou que, na Paraíba, 204.706 pessoas são atingidas, por ano, pelos seis tipos mais comuns de infecções de transmissão sexual. O dado consta na pesquisa “Prevalências e Frequências Relativas de Doenças Sexualmente Transmissíveis – DSTs”, que revela também que, para cada homem, mais de três mulheres são afetadas pelas infecções. De um total de 10,098 milhões de novos casos estimados no País, 2,168 milhões estão entre eles, número que sobe para 7,930 milhões entre elas. A doença mais recorrente é a tricomoníase.

De acordo com o ginecologista e obstreta Eduardo Sérgio Soares, a maior incidência entre pessoas do sexo feminino se justifica pelo fato de que algumas DSTs, como a tricomoníase e a clamídia, quase não têm sintomas em homens. Outro ponto é a subnotificação. “Homens vão menos ao médico. Por isso o diagnóstico é dado muito mais às mulheres”, destacou.

A Paraíba está em quinto lugar no Nordeste na expectativa de novos casos de DST ao ano, atrás da Bahia (778.313), Pernambuco (471.213), Ceará (441.813), Maranhão (335.846) e Sergipe (105.996). Assim como no País, entre os seis males analisados por serem os mais frequentes (tricomoníase, clamídia, gonorreia, sífilis, HPV e herpes genital), a tricomoníase é a DST mais recorrente na população paraibana, devendo atingir 87.699 pessoas. O número é seguido da clamídia (39.876), gonorreia (31.253), sífilis (18.993), HPV (13.893) e herpes genital (12.991).

Por sexo, a única diferença é que a terceira mais recorrente entre homens é a sífilis, seguida da gonorreia, ao passo que, entre as mulheres, é o inverso. O MS informou que os dados divulgados são os mais atuais, apesar de o estudo ser de 2005. A pesquisa estimou um tamanho amostral de pessoas para grupos de gestantes, trabalhadores de pequenas indústrias e de pessoas que procuraram assistência em clínicas de DST.

Sífilis e gonorreia têm maior risco

De acordo com o MS, depois da Aids, a sífilis é a DST mais perigosa, seguida da gonorreia. A sífilis é uma doença infectocontagiosa que acomete todo o organismo e que evolui lentamente, tendo períodos “ativos” e “inativos”. É transmitida por relação sexual, por transfusão de sangue contaminado e pela placenta (de mãe para filho).

A lesão primária, chamada de cancro, é dura e pouco dolorida, lisa e com uma secreção grossa. Ela tende a sumir em poucos dias, mas a doença continua agredindo o organismo. Algum tempo depois, começam a aparecer manchas na pele e a doença se torna mais agressiva. O mal pode órgãos como a pele, os olhos, os ossos, o sistema cardiovascular e o sistema nervoso, podendo levar à morte se não tratada.

Já a gonorréia, assim como a sífilis, atinge todo o organismo e é transmitida pela relação sexual. Pode causar dor ao urinar, coceira na região genital e, nos homens, secreção – corrimento – pela uretra. As mulheres, na maioria das vezes, não apresentam estes primeiros sintomas, apenas complicações posteriores.

Prevenção

A melhor forma de prevenção contra a sífilis e a gonorreia – assim como outras DSTs – é usando a camisinha, de forma adequada, do início ao fim da relação sexual. Além disso, é fundamental consultar o ginecologista a cada seis meses, principalmente porque muitas mulheres não apresentam os sintomas prévios. Dessa forma, é possível evitar as complicações.

CDC atende 100 por dia

Um serviço da Secretaria Estadual de Saúde (SES) é referência no diagnóstico precoce do câncer de mama e do colo de útero, na Paraíba. Por dia, cerca de 100 pessoas são atendidas no Centro Especializado de Diagnóstico do Câncer (CDC), realizando exames mastológicos, ginecológicos e de ultrassom. Elas vêm encaminhadas de outros serviços de saúde e são submetidas a procedimentos para detecção precoce do câncer.

Segundo a diretora do CDC, Roseane Soares, a demanda por procedimentos de mama é maior, mas, por outro lado, mais municípios dependem de análises de exames citopatológicos (do colo). “São 120 municípios que nos enviam lâminas para análise”, disse. O HPV é considerado o maior vilão no câncer de colo.

Câncer de colo em mulheres jovens

A diretora do CDC, Roseane Soares, comentou o fato de que tem aumentado o número de jovens com suspeitas de câncer do colo do útero. “Talvez pela questão de ter muitos relacionamentos, vários parceiros, além do fato de estarem entrando na vida sexual cada vez mais cedo”, observou.

O que são as doenças?

– Tricomoníase: principal característica é o corrimento e a coceira. Em homens, não provoca sintomas. Causa poucos danos. Não evolui para casos graves.

– Clamídia: Também provoca secreção e pode provocar lesões e dificultar a gravidez. Raramente evolui para casos mais graves.

– HPV: Não tem cura, provoca úlceras e predispõe pacientes ao câncer.

– Herpes genital: não tem cura e provoca úlceras, que aparecem de tempos em tempos.

– Sífilis: aparece como pequenas úlceras, mas vai comprometendo pele, olhos, ossos, chegando ao sistema nervoso. Pode levar à paralisia e à morte. Afetando mulheres grávidas, pode matar o feto ou deixá-lo com graves sequelas.

– Gonorreia: provoca inflamações na uretra, produzindo muita secreção. Na mulher, é mais grave e pode ir para as trompas, dificultando a gravidez.

 

Por Haryson Alves e Tássio Ponce de Leon (Jornal Correio da Paraíba)

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