Paraíba

Documento de advogado paraibano revela corrupção na ditadura

123008,362,80,0,0,362,271,0,0,0,0O golpe militar de 31 de março de 1964 aconteceu sob o pretexto de acabar com a crescente onda de corrupção que tomava conta de todas as esferas de poder, em todos os recantos do País. Grande parte da sociedade civil apoiou a iniciativa dos militares.
Na verdade, havia uma insatisfação crescente de setores sociais contra setores do Governo do presidente João Goulart e a tomada do poder foi vista por muita gente como um ato de salvação nacional.

A corrupção constatada em setores do governo civil começou a ser praticada com efervescência por setores do governo militar. Pessoas que apoiaram o novo regime não queriam acreditar no que acontecia em termos de corrupção e perseguição. Muitas se calaram.

Alguns bispos colocaram a “boca no trombone”, como Dom José Maria Pires, Dom Helder Câmara, Dom Paulo Evaristo Arns, Dom Aloísio Lorscheider, entre outros.

Na Paraíba, ao passo que a corrupção aumentava e que os atos de perseguições aconteciam, o medo tomava conta da sociedade. Prefeitos, vice-prefeitos, vereadores, suplentes, deputados estaduais e suplentes, deputados federais e suplentes foram cassados. Juízes e promotores perderam seus postos, foram perseguidos, presos e responderam inquéritos militares, sem falar no terror que se instituiu no âmbito da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), com demissões de professores e servidores e expulsão de estudantes. O terror também tomou conta da zona rural. A Igreja era vigiada. A imprensa era censurada e por aí vai.

Logo de início, os militares cassaram o mandato do prefeito de Campina Grande, Newton Rique. Poucos dias depois, submeteram o juiz de Rio Tinto, Hermillo de Carvalho Ximenes, a três inquéritos Policiais Militares (IPMs). Motivo: o prefeito de Campina Grande e o juiz de Rio Tinto seriam subversivos. A acusação sobre os dois parece infundada até hoje.

Em meio a tanto medo, um advogado (juiz aposentado) teve a coragem de escrever uma carta datilografada em dez laudas ao marechal presidente do Comando Geral de Investigação (CGI), Estevão Taurino de Rezende, no Palácio da Guerra, no Rio de Janeiro. O CGI foi criado pelo regime militar. Na carta, o advogado denuncia as falcatruas e toda sorte de corrupção praticada por agentes do regime na Paraíba.

O advogado era Alfredo Pessoa de Lima, então com 53 anos de idade. A carta é datada de 30 de junho de 1964.

Você lê a matéria completa na edição impressa do Jornal Correio deste domingo (18) que já está nas bancas.

Portal Correio

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