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Brasileiro comum só pode comprar um terço dos ingressos da Copa

20130719155003_03O torcedor comum brasileiro apenas terá como comprar um terço dos ingressos da Copa-2014 pela distribuição inicial da Fifa. Isso porque mais da metade do total de 3,3 milhões de bilhetes irá para a federação internacional, associações nacionais de futebol, CBF, parceiros comerciais, Vips, Comitê Organizador, governo federal, entre outros. E há uma fatia que será destinada exclusivamente a estrangeiros.

Essas entradas, no entanto, podem ser comercializadas para os cidadãos brasileiros posteriormente caso essas organizações optem por devolver as entradas para a federação internacional. Isso porque a maior parte desses bilhetes é comprado. O índice de devolução de ingressos depende do interesse no Mundial. O sistema é o mesmo utilizado pela Fifa em outras Copas do Mundo.

No total, os bilhetes disponíveis para o torcedor comum brasileiro somam 1,127 milhão (33,8% do total), sendo que parte deles também tem restrições ou preferências para determinados grupos. Na internet, de início, estarão à venda 1,101 milhão de entradas. Outros 26 mil serão da CBF para decidir como fará a comercialização – a entidade tem que respeitar certas regras.

Da fatia à venda na internet, 400 mil são para a categoria 4, a mais barata, que só pode ser vendida para brasileiros. Estudantes, idosos e beneficiários do bolsa família têm prioridade dentro desse montante. Ou seja, a maioria da população terá bem menos chances de conseguir bilhetes. Assim, a princípio, só cerca de 700 mil bilhetes serão vendidos em condições de igualdade para qualquer torcedor do mundo, inclusive os do Brasil.

Isso se explica pelas mordidas que a carga de ingressos sofre de várias organizações ligadas ao Mundial. Quem leva mais vantagem na divisão são os parceiros comerciais, que ficam com 605 mil entradas. Eles pagam por isso e podem fazer promoções para torcedores, como ressalta a Fifa. Outros 445 mil são para empresas de hospitalidade, que incluem as que vendem pacotes milionários com hospedagem e outros serviços para torcedores abastados. Televisões e rádio com direitos de transmissão ficam com 66 mil bilhetes.

“Eles têm até janeiro para nos dizer se vão comprar esses ingressos. Se não fizerem, isso volta à venda para o público em geral”, contou o diretor de ingressos da Fifa, Thierry Weil.

Na Africa do Sul, a demanda de patrocinadores foi baixa, o que proporcionou uma grande devolução de bilhetes. Assim, um total de 2,2 milhões bilhetes, no total, ficou à venda para o torcedor comum. Mas, no Brasil, parceiros comerciais têm demonstrado bem mais interesse na competição, o que deve reduzir consideravelmente o retorno de ingressos na visão de dirigentes da federação internacional.

A Fifa, federações nacionais e a CBF terão direito a uma carga próxima de 350 mil ingressos. Há ingressos doados como os de operários nos estádio e outros para o governo federal. Neste caso, 50 mil serão distribuídos a grupos sociais como índios, em critério ainda a ser estabelecidos. Vips e jornalistas também consomem outra fatia dos ingressos, sendo a mídia responsável por 71 mil bilhetes.

Outros ingressos serão vendidos para o torcedor comum, mas não chegarão para os brasileiros. São as entradas destinadas às associações nacionais. Cada uma fica com 8% da carga de seus jogos para vender em seu país para os seus cidadãos – é preciso provar que nasceu no país em alguns casos. A Fifa e a confederação decidem quais serão os critérios de negociação. O blog considerou o percentual da CBF nos jogos da seleção brasileira dentro do total das entradas disponíveis para o público brasileiro comum.

“Não podem ser vendidos por pacotes. Serão vendidos em um site em separado da Fifa com a confederação. Mas podem respeitar critérios como grupos de fãs mais fiéis, como acontece na Alemanha”, explicou Weil.

As federações nacionais têm um prazo mais avançado para devolver ingressos se não tiverem interessados. É uma fase próxima à Copa do Mundo. Devolvidos, os bilhetes também retornam para a negociação para o público em geral. Restará ao torcedor comum que não conseguir bilhetes nas primeiras fases de venda contar com a boa vontade desses parceiros para ter novas chances.

Blog Rodrigo Matos

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