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104 casos de microcefalia já foram registrados na Paraíba

capa_24112015133851A Paraíba tem 104 casos notificados de microcefalia, de acordo com relatório da Secretaria Estadual de Saúde (SES) divulgado no fim da manhã desta terça-feira (24). O número é maior do que o divulgado mais cedo pelo Ministério da Saúde, que informou que eram 96 casos confirmados no estado. Os casos foram registrados a partir de 1º de agosto.

De acordo com a gerente de Atenção à Saúde da SES, Patrícia Assunção, a diferença se deve ao fato de que os números foram atualizados depois de informados ao Ministério: enquanto os dados do Ministério são referentes ao período até a quinta-feira (19), os dados apresentados pela Secretaria são até a sexta-feira (20).

O boletim epidemiológico anterior, divulgado no dia 17, dava conta de 21 casos notificados na Paraíba. A notificação da SES está migrando para um sistema online, o que vai permitir um acompanhamento em tempo real, segundo foi divulgado nesta terça-feira.

Segundo Patrícia, os casos foram registrados em 32 cidades, sendo que João Pessoa concentra 50 deles, o que equivale a 48,1% do total. Os dados da Secretaria distribuem os casos pela cidade de residência das mães e não pelo local de nascimento. Com isso, apenas um caso está notificado em Campina Grande, enquanto nove casos são do Conde, no litoral sul.

De acordo a responsável pelo setor de Resposta Rápida da SES, Diana Pinto, muitos municípios estão notificando os casos pelo local de nascimento, o que gera um desencontro, já que a SES está notificando pelo endereço da mãe. “Se formos investigar a relação com o mosquito, tem que ver onde a pessoa foi infectada, que não é onde o bebê nasceu, mas onde a mãe mora”, explica.

Novos exames

A gerente de Atenção à Saúde da SES, Patrícia Assunção, também explicou que a SES está seguindo o protocolo de notificações estabelecido pelo Ministério da Saúde e que assim que o perfil se encaixa, já é notificado.

“A maioria das notificações foi realizada baseada apenas na medida do perímetro cefálico igual ou inferior a 33 cm, independente da mãe relatar ou não sinais de sinotmas de doenças infecciosas durante a gravidez e de exames complementares”, diz o relatório.

Mas o médico Claudio Régis explica que estes casos notificados vão passar por novos exames, como tomografia e exames de sangue. “Em 15 ou 20 dias pode-se saber com certeza se têm microcefalia. E ainda assim pode, no final, não saber o agente que causou”, explica. Com isso, uma parte destes casos pode ser descartado depois dessa investigação.

Antes da entrevista coletiva em que os dados foram notificados, a secretaria realizou uma reunião com hospitais e maternidades de referência no estado para determinar o caminho a ser feito  quando as grávidas tiverem suspeita de que zika ou microcefalia. “É importante as pessoas se cuidarem cada vez mais para evitar o mosquito transmissor. A população precisa ter cuidado para não ter mais criadouros”, orienta o pediatra e neonatalogista Claudio Régis.

Dados do Ministério

Considerando as 96 notificações do relatório do Ministério da Saúde, a Paraíba é o segundo estado em registros, abaixo apenas de Pernambuco, onde já há 268 registros. Em todo o país, o Ministério já contabiliza 520 casos em 160 cidades de nove estados. Há uma morte sendo investigada.

Nesta terça-feira, o Ministério divulgou também que a principal hipótese para o surto continua sendo o contágio por zika vírus – identificado no Brasil pela primeira vez em abril. Em dois casos de bebês com microcefalia em Campina Grande, já tinha sido confirmado a presença de zika vírus na placenta. A microcefalia faz com que o bebê nasça com o crânio menor do que o normal.

Relação inédita

No balanço do dia 17, o Ministério da Saúde informou que a epidemia de contaminação por zika vírus registrada no primeiro semestre é a “principal hipótese” para explicar o aumento dos casos de microcefalia na região Nordeste. No mesmo dia, exames feitos com o líquido amniótico de dois bebês com a doença em Campina Grande confirmaram que houve infecção por Zika vírus durante a gestação.

O diretor do Departamento de Vigilância de Doenças Transmissíveis do Ministério da Saúde, Cláudio Maierovitch, informou que as investigações sobre a relação da infecção pelo vírus com a microcefalia estão sendo feitas com cautela. “Vocês podem perguntar se isso fecha a correlação entre as duas coisas, e minha resposta é: ‘quase‘. Estamos sendo bastantes cautelosos, mas não se encontrou nenhuma outra causa até o momento. Tivemos uma circulação importante do vírus no Brasil no primeiro semestre, coisa que aconteceu pela primeira vez na nossa história”, disse Maierovitch.

Maierovitch disse ainda que a relação entre o vírus zika e a má-formação genética “é inédita no mundo” e não consta na literatura científica até o momento. “Nossos cientistas, cientistas do mundo que se interessarem, devem nos ajudar a provar essa causa e efeito.”

Apesar disso, o Ministério da Saúde não trabalha com a hipótese de que o vírus zika em circulação no Brasil tenha sofrido mutação e se tornado mais perigoso. “O Zika foi identificado em pouquíssimas partes do mundo. Foi no Brasil e no primeiro semestre que ele circulou com mais intensidade. Essas consequências ‘novas‘ podem não ter sido identificadas antes porque a circulação ocorreu em áreas limitadas”, afirmou o diretor.

G1 PB

 

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